quinta-feira, 22 de maio de 2008

O Raiozinho de Sol



O Raiozinho de Sol é um pequenino texto de Isa Azevedo, retirado da obra Pequenos Contos para Gente Pequena.

Um raiozinho fugiu e ficou escondido. Ele queria ver o que acontecia na floresta, quando acabava o dia.
Dentro da noite, o raiozinho parecia um sol. Por isso os passarinhos não foram para os ninhos, as abelhas zumbiam sobre as flores e as formigas carregavam alimentos. Eles diziam cansados:
- Que dia comprido! Não tem fim!
Quando amanheceu de verdade, as aves dormiam fora dos ninhos, as abelhas fora da colmeia e as formigas no caminho do formigueiro.
O raiozinho viu que a sua curiosidade havia atrapalhado a vida da floresta, não deixando os bichinhos descansar.
Arrependido, voltou para o seu raio de sol.

O convite à imaginação é uma prática frequente em todas as aulas de Língua Portuguesa. Partindo deste texto, os alunos foram convidados pela professora a imaginar o que o Raiozinho teria contado ao pai Sol. Os alunos aceitaram o desafio e produziram vários textos, ilustrando-os.O texto que se segue é lindo e foi escrito pela Andreia, bem como a sua ilustração.

"O Raiozinho, ao chegar ao pé do pai, pediu-lhe desculpa por ter ficado na floresta, Ele escondeu-se na floresta para ver o que acontecia durante a noite.
Como o Raiozinho ficou na floresta não anoiteceu e os animais continuaram a trabalhar. Ele arrependeu-se por ter baralhado e complicado a vida dos animais.
O Raiozinho prometeu nunca mais se deixar levar pela sua curiosidade."

Andreia Filipa Marinho, 2º ano, Escola da Igreja

O livro da semana: " O Último voo do Flamingo"



Esta semana o livro que vos sugerimos é " O Último Voo do Flamingo", da autoria de um escritor Moçambicano muito conhecido- Mia Couto.
Foi jornalista, é professor, biólogo e escritor. A sua vasta obra está traduzida em diversas línguas. Entre outros prémios e distinções, foi galardoado com o Prémio Vergílio Ferreira 1999.
A propósito desta obra, Mia Couto disse, na entrega do Prémio Mário António, da Fundação Calouste Gulbenkian em 2001," O Último Voo do Flamingo" fala da falta de uma terra toda inteira, um imenso rapto de esperança praticado pela ganância dos poderosos. O avanço desses comedores de nações obriga-nos a nós, escritores, a um crescente empenho moral. Contra a indecência dos que enriquecem à custa de tudo e de todos, contra os que têm as mãos manchadas de sangue, contra a mentira, o crime e o medo, contra tudo isso se deve erguer a palavra dos escritores. Esse compromisso para com a minha terra e o meu tempo guiou não apenas este livro como os romances anteriores.(...)"

terça-feira, 6 de maio de 2008

A Mãe é...











Desenhos da Teresa e Ana
Definir a Mãe não é tarefa fácil, mas os nossos poetas mais pequenos, não em imaginação mas em tamanho, deram-nos uma lição no que diz respeito à arte de poetar. Eis os seus trabalhos sobre o Dia da Mãe que estão simplesmente belos e dignos de se ler :
A minha mãezinha
É a melhor do mundo
Gosto muito dela
É um amor profundo

A minha mãe é uma flor
Dá-me todo o seu amor
Trata-me com o seu miminho
Porque eu sou um passarinho

Mãe tu és a luz
Que ilumina o meu dia
És a coisa mais bonita
Ajudas-me no dia-a-dia

Ana Borges, EB1 da Igreja, 2º ano

A minha mãe é muito bonita
Ela dá-me todo o seu amor
E dá-me também uma flor
E eu fico toda catita

A minha mãe é
A mulher mais bela
Ainda é mais bonita
Do que a Cinderela

Mãe tu és a luz
Que ilumina o dia
És a minha vida
E o meu dia-a-dia

Teresa Alves, EB1 da Igreja, 2º ano

A minha mãe é uma flor
Ela dá-me todo o seu amor
Ela dá-me o seu miminho
Porque eu dou-lhe o meu carinho

Mãe és tão bela
Que pareces a Cinderela
Bonita porque és a minha mãe
A quem eu quero muito bem

A minha mãe é magia
Dá-me livros de fantasia
Ela dá-me toda a alegria
Tanto de noite como de dia

Ela deu-me um chocolate
Em forma de tomate
Eu preciso sempre dela
Porque ela é muito bela

Eduardo Ribeiro, EB1 da Igreja. 2º ano

Mãe, um raio de luz
Ajuda-me no dia-a-dia
É ela que me conduz
Sempre com muita alegria


É uma flor
A mais bonita do jardim
Dá-me todo o seu amor
Porque gosta de mim

É a flor mais bela
Dá-me beijos e miminhos
Bem sei que para ela
Serei sempre o Joãozinho

João Ribeiro, EB1 da Igreja, 2º ano



A minha mãe é a pérola mais bonita do universo. É amorosa e lindíssima.
É um raio de luz
A mais bonita do bairro e de todas as mulheres
Uma estrela do céu que brilha como uma estrela cadente.
É a minha alma do coração, a flor mais bonita de todos os jardins.

José Magalhães, EB1 da Igreja, 2º ano

domingo, 4 de maio de 2008

Poesia à Mãe



Poesia à Mãe

A mãe
É uma árvore
E eu uma flor.

A mãe
Tem olhos altos como estrelas.
Os seus cabelos brilham
Como o sol.

A mãe
Faz coisas mágicas:
Transforma farinha e ovos
Em bolos,
Linhas em camisolas,
Trabalho em dinheiro.

A mãe
Tem mais força que o vento:
Carrega sacos e sacos
Do supermercado
E ainda me carrega a mim.

A mãe
Quando canta
Tem um pássaro na garganta.

A mãe
Conhece o bem e o mal.
Diz que é bem partir pinhões
E partir copos é mal.
Eu acho tudo igual.

A mãe
Sabe para onde vão todos os autocarros,
Descobre as histórias que contam as letras dos livros.

A mãe
Tem na barriga um ninho.
É lá que guarda
O meu irmãozinho.

A mãe podia ser só minha.
Mas tenho de a emprestar
A tanta gente…

A mãe à noite descasca batatas.
Eu desenho caras nelas
E a cara mais linda
É a da minha mãe.

Anónimo

Carta à Mãe



Há datas que não se devem esquecer. O Dia da Mãe é uma delas. Todos nós sabemos que todos dias são dias da mãe mas, por vezes, é necessário um dia no calendário para lembrar os mais esquecidos, aqueles que abandonam os seus pais em casa , em lares, em hospitais ... que MÃE só há uma, e essa é para sempre.
Muitos foram os poetas, pensadores, filósofos e anónimos que tentaram homenageá-la, defini-la e, cada um à sua maneira, fê-lo muito bem. Mas é do olhar e da inocência de uma criança que saem as coisas mais belas, porque são sinceras, genuinas e espontâneas.

Esta carta é a prova desse amor sincero:

Querida Mãe

Mãe, és uma estrela, uma flor e um anjo. Eu adoro-te. És a minha estrela cadente. És bonita, és carinhosa, dás-me muito amor.
Ajudas-me nos trabalhos. Quando estou doente ajudas-me o melhor que podes e que sabes e chamas o médico.
Para mim, tu pareces um belo morango que sabe bem.
a melhor mãe e a melhor amiga que eu já tive durante estes anos.
És dourada e prateada como a rosa do monte.

Beijos do teu filho João Paulo

João Paulo, 2º H

terça-feira, 29 de abril de 2008

Histórias para ler e encantar




A obra O Conselheiro do Rei de Alexandre Parafita, escritor transmontano, consagrado na Literatura Infantil, contém seis histórias recontadas e recriadas pelo autor, num estilo e linguagem ajustados aos gostos dos mais pequenos.
Histórias como" Branca Flor , e os seus suspiros", " O Moinho da maldição", "O Diabo e o Ferreiro"...permitem às crianças de hoje voltar atrás no tempo e deliciarem-se com belíssimas narrações, recheadas de elementos sobrenaturais,num convite permanente à sua imaginação.
Este livro contém histórias muito antigas, do tempo dos reis, dos castelos, dos duendes e das fadas, contadas ao longo de várias gerações pelos nossos avós e seus antepassados. De tão antigas que são, ninguém se lembra de quem as contou pela primeira vez. O que se sabe é que elas são fruto da imaginação e das vivências do nosso povo, numa tentativa de encontrar explicação e solução para os seus problemas.
Estas histórias de tradição oral são o testemunho vivo da cultura e saber populares de que nós nos orgulhamos e temos o dever de preservar.

terça-feira, 22 de abril de 2008

A Poesia e o 25 de Abril




Muitos foram os poetas que cantaram Abril.
Antes e depois da Revolução dos Cravos muitos poetas portugueses escreveram sobre liberdade e esperança num país melhor: José Carlos Ary dos Santos;José Fanha; Manuel Alegre; Sérgio Godinho...





Solitário
por entre a gente eu vi o meu país.
Era um perfil
de sal
e abril.
Era um puro país azul e proletário.
Anónimo passava. E era Portugal
que passava por entre a gente e solitário
nas ruas de Paris.

Vi minha pátria derramada
na Gare de Austerlitz. Eram cestos
e cestos pelo chão. Pedaços
do meu país.
Restos.
Braços.
Minha pátria sem nada
despejada nas ruas de Paris.

E o trigo?
E o mar?
Foi a terra que não te quiz
ou alguém que roubou as flores de abril?
Solitário por entre a gente caminhei contigo
os olhos longe como o trigo e o mar.
Éramos cem duzentos mil?
E caminhávamos. Braços e mãos para alugar
meu Portugal nas ruas de Paris.

Manuel Alegre


A Rapariga do País de Abril
Habito o sol dentro de ti
descubro a terra aprendo o mar
rio acima rio abaixo vou remando
por esse Tejo aberto no teu corpo.
E sou metade camponês metade marinheiro
apascento meus sonhos iço as velas
sobre o teu corpo que de certo modo
é um país marítimo com árvores no meio.
Tu és meu vinho. Tu és meu pão.
Guitarra e fruta. Melodia.
A mesma melodia destas noites
enlouquecidas pela brisa no País de Abril.
E eu procurava-te nas pontes da tristeza
cantava adivinhando-te cantava
quando o País de Abril se vestia de ti
e eu perguntava atónito quem eras.
Por ti cheguei ao longe aqui tão perto
e vi um chão puro: algarves de ternura.
Quando vieste tudo ficou certo
e achei achando-te o País de Abril.
Manuel Alegre



Abril de Abril
Era um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.
Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.
Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.
Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.
Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.
Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.
Manuel Alegre

Liberdade
Viemos com o peso do passado e da semente
esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se ataca na torrente
e a sede de uma espera só se ataca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela caladas
ó se pode querer tudo quanto não se teve nadas
ó se quer a vida cheia quem teve vida parada
só se quer a vida cheia quem teve vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir.
Sérgio Godinho


De Coração e Raça
"Sou português de coração e raça
Não há talvez maior fortuna e graça"
Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
fechados numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha
Agora vamos é ser
donos do nosso trabalhar
em vez de andar para alugar
com escritos na camisa
e o dinheiro que desliza
do salário para a despesa
compro cama vendo mesa
deito contas à pobreza
Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
fechados numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha
Agora vamos é ser
donos do nosso produzir
em vez de ter que partir
com escritos numa mala
e a idade que resvala
do nascimento para a morte
vou para o leste perco o norte
e o meu corpo é passaporte
Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
fechados numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha
Sérgio Godinho