quarta-feira, 5 de março de 2008

Notícia- A terrível tragédia do incesto

Todos nós, de uma maneira ou de outra, já contactamos ou convivemos com situações de violência doméstica. Todos nós sabemos que ela ocorre em todas as classes sociais e que as suas consequências físicas e psicológicas são de uma brutalidade desumana, deixando marcas para toda a vida.

“ Fui violada pelo meu pai”.
Envergonhada e confusa, a jovem guardara durante 13 anos o terrível segredo. Finalmente descobriu que a verdade a libertaria.
“Quando eu tinha 9 anos, vivíamos numa casa grande. Os meus dois irmãos dormiam no 1º andar, o meu ficava no rés-do-chão, perto do dos meus pais. Uma noite, depois do jantar, enquanto a minha mãe se encontrava numa reunião da associação de pais e professores, o meu pai entrou no meu quarto. Eu estava quase a adormecer. Ele aproximou-se da cama, deitou-se em cima de mim e violou-me. Naturalmente, não percebi o que estava a acontecer. Só me lembro de ter começado a chorar porque senti uma dor horrível. Quando tudo acabou, ele saiu do quarto, avisando-me: “ Nem uma palavra acerca disto à tua mãe. Não contes a ninguém. É o nosso segredo”. Chorei toda a noite.
Muitas pessoas julgam que o incesto só acontece em famílias pobres, degradadas, mas o meu pai não tinha a “desculpa” da bebida, da pobreza ou de qualquer deficiência mental. Os meus pais tinham bons empregos e a família vivia sem dificuldades.
Às quintas-feiras à noite a minha mãe tinha uma aula de ginástica que durava uma hora. Para mim esse dia era um pesadelo. Cheia de medo, mostrava-me absolutamente desatenta nas aulas e, em casa, recusava-me a falar.
Depois do trabalho, a minha mãe dava-nos rapidamente o jantar a mim e aos meus irmãos, e punha-nos na cama para poder sair mal o meu pai chegasse a casa. Embora ele por norma chegasse tarde, às quintas chegava muito mais cedo. Depois voltava a acontecer, sem qualquer troca de palavras. (…) Eu estava sozinha com o meu terrível segredo. Porque teima o meu pai em dizer que isto é um segredo? Por que o faz sempre quando a minha mãe não está em casa? Comecei a achar que não era um comportamento normal.
A certa altura, a minha mãe foi hospitalizada (…) e, então, totalmente à vontade, o meu pai passou a ir todas as noites ao meu quarto. Numa dessas noites, gritei-lhe que, se ele continuasse a fazer aquilo, eu contava à minha mãe. Sem dizer uma palavra, ele saiu do quarto (…).
Apesar de tudo, eu ainda tinha medo de ficar com ele sozinha (…). Aos treze anos, interrogara-me: “ Se contares, o que é que vai acontecer?”. Por mais que dissesse a mim mesma que a culpada não era eu, não conseguia deixar de sentir-me envergonhada.
Mais tarde, o meu pai abandonou a minha mãe para ir viver com uma mulher 25 anos mais nova. (…) Depois contei a minha história.(…)

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